terça-feira, 21 de março de 2017

Vitorino e a perpétua virgindade de Maria


Pouco do que Vitorino de Pettau escreveu chegou aos nossos dias. Mas ao que parece este antigo bispo fez alguns comentários relevantes para a virgindade perpétua de Maria nos seus escritos que não sobreviveram. Em resposta a Helvídio, que argumentou contra a virgindade perpétua de Maria, Jerónimo comentou:

"Você, se sentindo uma pessoa sem conhecimentos, usou Tertuliano como sua testemunha e citou as palavras de Vitorino, bispo de Perávio. De Tertuliano não direi senão que não pertenceu à Igreja. Mas com respeito a Vitorino, afirmo que já ficou provado pelo Evangelho - que ele falou dos irmãos de Nosso Senhor não como sendo filhos de Maria, mas irmãos no sentido que expliquei, ou seja, irmãos sob o ponto de vista de parentesco, não de natureza. Estamos, contudo, desperdiçando nosso percurso com ninharias e deixando a fonte da verdade, estamos seguindo insignificantes pontos de opinião. Não deveríamos arrolar contra você toda a série de escritores antigos? Inácio, Policarpo, Ireneu, Justino Mártir e muitos outros homens apostólicos e eloquentes, que expuseram as mesmas explicações contra Ebião, Theodoto de Bizâncio e Valentino, escreveram volumes repletos de conhecimentos. Se você alguma vez lesse o que eles escreveram, você se tornaria um homem sábio" (A Perpétua Virgindade da Bem-Aventurada Maria, Contra Helvídio, 19).

Em quem devemos acreditar em relação à opinião que Vitorino sustentava? Em Helvídio ou em Jerónimo? Não haverá uma maneira de discernir quem é mais credível? Não haverá uma razão para preferir um lado ao outro? Eu penso que temos boas razões para confiar em Helvídio em detrimento de Jerónimo sobre este assunto.

Em primeiro lugar, note-se que a posição de Helvídio é mais moderada e razoável. Ele apenas cita dois padres em apoio da sua oposição à virgindade perpétua de Maria, embora ele pudesse ter avançado com mais do que esses dois. Em contraste, Jerónimo afirma que "toda a série de escritores antigos" está do seu lado. Aparentemente Helvídio estava a ser mais cuidadoso com o que alegava.

E muito do que Jerónimo diz sobre os padres é impreciso. A sua desqualificação de Tertuliano é inconsistente com o que fontes anteriores disseram sobre ele e o quão influente ele foi durante o seu tempo e depois do seu tempo. Ver aqui. Tertuliano não pode ser descartado tão facilmente como Jerónimo sugere. Mas, pior ainda, nenhum dos padres referidos por Jerónimo defende a virgindade perpétua de Maria nos seus escritos existentes, e não temos razão para pensar que algum deles a defendeu em escritos que não existem mais. De facto, noutros lugares Jerónimo apenas menciona os oito documentos de Inácio e Policarpo que temos hoje, o que sugere que ele não tinha conhecimento de outros disponíveis na sua geração (Vidas de Homens Ilustres, 16-7). Eusébio, escrevendo várias décadas antes de Jerónimo, confirma que esses oito documentos era tudo o que havia sido preservado de Inácio e Policarpo (História Eclesiástica, 3:36, 4:14). Mas nem Inácio nem Policarpo defendem a virgindade perpétua de Maria em qualquer desses escritos. E nos seus escritos existentes, Ireneu parece contradizer a virgindade perpétua de Maria, em vez de afirmá-la (Eric Svendsen, Who Is My Mother? [Amityville, New York: Calvary Press, 2001], 101-2). Portanto, Jerónimo não só não demonstra a sua afirmação de que "toda a série de escritores antigos" concorda com ele, como a sua alegação é manifestamente falsa em relação a três dos quatro nomes que referiu e não comprovada em relação ao quarto (Justino Mártir).

Além disso, Jerónimo tenta descartar o que Helvídio cita de Vitorino, dizendo que ele interpreta Vitorino da mesma maneira em que interpreta as passagens bíblicas citadas contra a virgindade perpétua de Maria. Mas, uma vez que a opinião de Jerónimo sobre o material bíblico é incorreta, a sua opinião sobre Vitorino fica enfraquecida pelo seu reconhecimento de que aplica o mesmo tipo de raciocínio a Vitorino para reconciliar os comentários de Vitorino com a virgindade perpétua de Maria. E pode ter havido mais coisas nos escritos de Vitorino que eram problemáticas para a posição de Jerónimo. Visto o quanto Jerónimo deturpou os outros padres, não devemos assumir que o que ele disse sobre Vitorino é rigoroso. Mesmo que nos limitássemos ao que Jerónimo aborda de Vitorino, o seu reconhecimento de que aplica o mesmo tipo de raciocínio a Vitorino que aplicava à Bíblia é suficiente para justificar o favorecimento de Helvídio sobre Jerónimo. Mas pode ter havido ainda mais material contra a posição de Jerónimo em Vitorino do que aquilo que ele reconhece.

J.N.D. Kelly resume alguns dos problemas com a resposta de Jerónimo a Helvídio:

"A evidência do Novo Testamento ainda é debatida, mas a grande maioria dos estudiosos críticos concordam que a sua interpretação (de Helvídio), e não a de Jerónimo, é a correta. Os esforços de Jerónimo para contornar o significado óbvio dos textos são entendidos pela maioria das pessoas hoje como um apelo especial, o subproduto da sua pré-convicção de que a relação sexual é impura. A sua lista de padres ortodoxos que o apoiariam foi uma cortina de fumo desonesta típica do seu estilo de debate; é duvidoso que tenha tido qualquer estreito conhecimento dos escritores que listou, e ainda mais duvidoso é que eles tenham sustentado as opiniões que ele atribuiu a eles" (Jerome [Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 2000], 106-7)

Kelly também aponta que a opinião de Jerónimo sobre a virgindade perpétua de Maria mudou ao longo do tempo, dado que ele inicialmente rejeitou a sua virgindade in partu, mas mais tarde a aceitou (106 e n.10 em 106). Esse desenvolvimento dá-nos mais razão para confiar em Helvídio do que em Jerónimo. Enquanto Jerónimo se retrata a si mesmo como aquele que mantém a tradição universal ortodoxa defendendo a virgindade perpétua de Maria, nós vemos a sua opinião sobre a virgindade in partu mudando ao longo do tempo, acompanhando a maré crescente de ascetismo.

Em suma, no contexto da sua discussão sobre Vitorino, Helvídio parece ser mais cuidadoso, mais rigoroso e mais consistente do que Jerónimo. E a própria descrição de Jerónimo daquilo que ele faz para reconciliar Vitorino com a sua posição dá-nos razão para confiar mais na leitura que Helvídio faz de Vitorino do que na de Jerónimo. Vitorino deve ser incluído na lista de padres que provavelmente negaram a virgindade perpétua de Maria.

Jason Engwer

20 comentários:

  1. Ótima tradução. Gosto muito do trabalho do Jason Engwer e o utilizo bastante nos artigos que público. Inclusive, essa parte sobre Vitorino está nos artigos sobre virgindade perpétua do meu blog.

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    1. Já conversei com ele por e-mail. Ele autorizou o uso de qualquer material que ele publique!

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  2. Esta questão da desqualificação de Tertuliano levanta a seguinte questão:

    A Igreja romana assim como as ortodoxas orientais têm por costume apelar aos chamados Padres da Igreja para validar os seus ensinos.

    Mas qual é o critério que estas Igrejas usam para validar um escritor antigo como Padre da Igreja «autorizado»?

    Se não há um critério objetivo independente da Igreja pelo qual possa ser reconhecida uma autoridade intrínseca aos Padres, o apelo aos Padres torna-se circular:

    A igreja valida os Padres da Igreja e os Padres da Igreja validam a Igreja.

    Percebe-se a falácia?

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  3. Só que dando credibilidade para Helvídio, não é só Jerônimo que fica desacreditado, mas Orígenes, Santo Epifânio, Agostinho, Ambrósio, Atanásio, João Crisóstomo, Hipólito de Roma e toda a maioria maciça dos pais da igreja, que inclusive consideravam isso uma heresia, por motivos óbvios que só protestante não consegue compreender. Além dos pais da igreja fica claro essa crença entre os leigos da época, como vemos por exemplo no protoevangelho de Tiago, evangelho de Pedro, a oração “Sub tuum praesidium” (À vossa proteção), a mais antiga invocação a Maria, etc...

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    1. Portanto, a doutrina é verdadeira porque Epifânio, Agostinho, Ambrósio, Atanásio, João Crisóstomo e as outras fontes que refere, todas do século IV em diante com exceção dos filo-gnósticos evangelhos apócrifos, não podiam estar errados na sua crença sobre a virgindade perpétua de Maria? Eram infalíveis? Eram infalíveis só neste assunto ou em todos?

      E qualquer crença que houvesse entre os "leigos" da época é boa?

      Com este tipo de argumento o único que fica desacreditado é você.

      Nota: Não é verdade que Orígenes e Hipólito de Roma cressem na virgindade perpétua de Maria.

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    2. É perdo tempo discutir com esse Tiago Ferreira, ele faz diversas afirmações falsas sobre os pais da Igreja, é corrigido e volta a comentar repetindo as mesmas falsidades e não lidando com as respostas oferecidas.

      É nitidamente alguém que age como um papagaio do romanismo e que não está nem um pouco em buscar a verdade.

      Eu já o corrigi diversas e documentei nos meus artigos que:

      - Orígenes acreditava que Maria foi virgem no sentido de que ela nunca teve relações sexuais, mas não acreditava na virgindade no parto como afirma o romantismo e nunca ensinou que a virgindade de Maria era um artigo de fé;

      - Epifânio negada a virgindade no parto;

      - Atanasio não acreditava na virgindade no parto e não considerava heresia afirmar que Maria teve filhos;

      - Diferente do que ele diz, Hipólito não ensinou a virgindade perpétua em suas obras confiavelmente autênticas e eruditos patristicos como Campehausen acreditam que ele entendia que Maria teve filhos.

      Diferente das mentiras repetidas pelo Tiago, durante os três primeiros séculos da igreja, nenhum pai da igreja ensinou a virgindade perpétua de Maria e muito menos a afirmou como um artigo de fé, Mas devemos crer que isso é uma doutrina apostólica ne?

      - Quanto as narrativas apócrifas e fantasiosas do protoevagelho, nao sabemos se os seus autores eram ortodoxos e quao disseminadas suas visões eram.

      Então, diferente do que foi afirmado, mesmo considerando o quarto século, a maioria dos pais da igreja não ensinaram a virgindade perpétua de Maria é muito menos a consideravam artigo de fé.

      E olha que nem estamos falando dos autores bíblicos que precedem todos os demais e fontes históricas mais relevantes como Josefo que são contrárias a essa ideia fantasiosa.

      Isso só demonstra que realmente o romantismo torna seus adeptos em zumbis que perdem totalmente sua capacidade de discernimento próprio.

      Só assim para alguém acreditar que uma mulher judia casada do séc I iria abrir mão das relações sexuais quando a Escritura inclusive diz que este é um direito do cônjuge.

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    3. No mais, os próprios apologistas de Roma nos mostram quão frágeis são a fundamentação histórica de suas doutrinas.

      A mais antiga oração á Maria é do séc IV. Enquanto um romanista hoje não consegue sequer redigir um texto religioso sem exaltar indevidamente Maria, a igreja primitiva não era assim. Não por acaso, não há qualquer registro autêntico de qualquer pai da igreja pre-niceno orando a Maria ou qualquer outro Santo.

      Além disso sequer sabemos quem produziu essa oração, o que só demonstra que a igreja primitiva não era mariolatra como é a igreja romana.

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    4. Tirou-me as palavras da boca:)

      Ia mesmo falar sobre quem era mais digno de crédito ou descrédito. Se os autores dos evangelhos, o apóstolo Paulo, o historiadores Flávio Josefo, Hegésipo, e Eusébio de Cesareia, Vitorino de Pettau, Ireneu de Lyon, Tertuliano, Helvídio etc, se os evangelhos apócrifos de origem duvidosa (e a virgindade in partu nestes evangelhos pretende claramente afirmar a doutrina gnóstica da imaterialidade do corpo de Cristo) ou alguns monges ou para-monges do século IV em diante.

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    5. Essa é diferença de um católico para um protestante, nós damos razão à nossa fé com base nos ensinamentos da igreja, Mãe da bíblia, que é instrumento de Deus na terra para definir o que é fé e o que é heresia. Enquanto que vc como protestante nunca terá certeza de nada, viverá apenas de especulações. Será que isso é doutrina? Será que aquilo é heresia? Mas vc quer dar crédito a esses bispos da igreja primitiva que definiram os 27 livros do novo testamento, mas quando se trata de algo que te desagrada vc não aceita-os? Não é uma incoerência?

      Segue Testemunhos antes do século IV:
      Na Homilía 17, Orígenes ensina a virgindade de Maria antes, durante e após o parto:

      Que necessidade terá havido de Maria se ter desposado com José, senão que isso fosse para que este mistério ficasse escondido ao diabo e assim aquele maligno não encontrasse absolutamente nenhum plano fraudulento contra a virgem desposada? Ora ela fora desposada com José, para que, depois de nascido o Menino, se visse que José tinha o cuidado de Maria, quer na viagem para o Egito, quer no seu regresso. Por isso é que ela se desposou com José, não para uma união de concupiscência. Maria é Mãe imaculada, mãe incorrupta, mãe intacta. «A sua mãe». Mãe de quem? Mãe do Unigénito de Deus, do Senhor e Rei de todos, o autor e criador de todas as coisas. Mãe daquele que nos céus não tem mãe e que na terra não tem pai; daquele que nos céus está no seio do Pai em razão da divindade, e que na terra está no seio da mãe em razão de ter recebido um corpo. Ó que graça de admirável grandeza! Ó inenarrável maravilha! Ó inefável e grande mistério! Essa mesma Virgem é a própria mãe do Senhor, a própria progenitora é a sua escrava, aquela que o gerou é a sua imagem. Quem alguma vez ouviu isto? Quem é que viu tal coisa? Quem é que foi capaz de imaginar que uma mãe fosse virgem e que pudesse gerar sem ser tocada, e que ela não só permaneceu virgem, mas que também gerou. Era como outrora a sarça que parecia que ardia e no entanto o fogo não a tocava (Ex. 3); e tal como os três jovens encerrados na fornalha, a quem o fogo não queimava, nem havia neles cheiro a fumo. Ou então, da mesma forma como aconteceu com Daniel, encerrado na cova dos leões, a quem, sem que se abrissem as portas, lhe foi levada a comida por Habacuc (Dan. 3, 6, 15), assim também esta santa Virgem gerou o Senhor, mas permaneceu intacta. Tornou-se mãe, mas não perdeu a virgindade. Gerou uma criança e (tal como já foi dito) permaneceu virgem. Portanto gerou virgem e virgem permaneceu. Tornou-se mãe de um filho e não perdeu o selo da castidade. Porquê? (Orígenes - Homilia 17,2 - Na Vigília do Nascimento do Senhor)

      São Gregório chega a falar já naquela época, da festa da anunciação a Maria, comemorada ainda hoje por toda igreja:

      ...sendo ela uma imagem pura, imaculada, e inoxidável, não se encolheu com terror da aparição angélica, como a maioria dos profetas, como na verdade a verdadeira virgindade tem uma espécie de afinidade e igualdade com os anjos. Pois a santa Virgem guardava cuidadosamente a tocha da virgindade, e cuidava diligentemente para que não fosse extinguida ou contaminada.... Todos os que observam dignamente A FESTA DA ANUNCIAÇÃO DA VIRGEM MARIA, Mãe de Deus, recebem como recompensa o maior interesse pela mensagem... E quando esta palavra, Salve, que é altamente favorecida, chegou a ela, no momento em que ela ouviu, o Espírito Santo entrou no templo imaculado da Virgem... Por me ter feito mãe de Deus, também me preservou virgem; E pelo meu ventre a plenitude de todas as gerações se dirigem para a santificação... Seu louvor, ó Santíssima Virgem, supera todo elogio, por causa do Deus que recebeu a carne e nasceu homem de você. A vós todas as criaturas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra, e as que estão debaixo da terra, oferecem a oferta de honra. (São Gregório de Neocesareia, A Segunda Homilia - Na Anunciação à Santa Virgem Maria)

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    6. Continua:

      ...corpo sensível de Maria toda santa, SEMPRE VIRGEM, por uma concepção imaculada, sem conversão, e se fez homem na natureza, mas em separado da maldade: o mesmo era Deus perfeito, e o mesmo era o homem perfeito, o mesmo foi na natureza em Deus, uma vez perfeito e homem." (As obras e fragmentos. Fragmento VIII)

      Permaneceu oculta ao príncipe deste mundo a virgindade de Maria e seu parto, como igualmente a morte do Senhor: três mistérios de grande alcance que se processaram no silêncio de Deus. Como então foram eles manifestados aos séculos? (Santo Inácio – Aos Efésios 9, 19)


      "Mostra que as circunstâncias de seu nascimento não foram naturais, nem como as de todos os homens e os demais viventes, que nascem de união carnal. Seu nascimento teve algo melhor, fora da ordem comum”... no nascimento dos demais homens há anjos que assistem a cada um ao vir à vida; mas no nascimento do Salvador é o Pai mesmo quem se fez seu protetor". (Eusébio de Cesareia - Comment. in psalmos 70, 6-7)

      "A Ele, concebido e levado no seio pela Santa Virgem, não lhe faltou o poder do Pai, quando o Espírito Santo veio sobre a Virgem e o poder do Altíssimo a cobriu com sua sombra e o Pai mesmo em pessoa extraiu do seio ao que nascia, como ensina a Escrita; mas o Pai não lhe voltou a auxiliar ao tempo da Paixão, quando se preparava a lutar contra a morte" (Eusébio de Cesareia - Demonstração evangélica 10, 8, 71)

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    7. Respostas Cristãs, Se eu sou papagaio romanista, vc é papagaio de blog alheio. Vive copiando artigos de blogs amadores estrangeiros e traduzindo como se fossem seus. Vá orar pra Deus tirar todo esse ódio explícito de seu coração. Vá estuda pra entender que Deus tinha um propósito para a igreja através da virgindade de Maria, não é apenas uma questão de provar que ela não teve relações com seu marido.

      "...mesmo considerando o quarto século, a maioria dos pais da igreja não ensinaram a virgindade perpétua de Maria é muito menos a consideravam artigo de fé."

      RESPOSTA:
      ...quero dizer Tiago, José, Judas e Simão, os filhos de José por outra mulher. José não tinha relações com a Virgem, Deus me perdoe dizer isso - após engravidar a Virgem é encontrado inviolada. (Epifânio, Part 28. Against the Cerinthians 7,6)

      ...58º heresia - aqueles que dizem que Santa Maria, A SEMPRE VIRGEM, teve relações sexuais com José após dar à luz o Salvador. Essas pessoas que chamei 'Antidicomarians.' (Epifânio, The Panarion, Proem I-4,8)

      Antidicomarites; se chamam assim os HEREGES que se opõem a virgindade de Maria, de tal modo que afirmam que, depois de Cristo nascer, ela estava unida com seu marido” (Santo Agostinho, Heresias 56)

      Se alguém não acredita que Santa Maria é a Mãe de Deus, ele é cortado da divindade. Se alguém afirmar que Ele passou através da Virgem como através de um canal, e que não foi divinamente e humanamente formado nela (divinamente, porque não houve a intervenção de um homem, humanamente, de acordo com as lei da gestação) ele é da mesma maneira herege. (São Gregório de Nanzianzo – Carta ao Sacerdote Cledônio)

      Hereges Jovinianistas; os que negam a virgindade de Maria, dizendo que ao dar a luz não permaneceu intacta. (Santo Agostinho – Heresias 81)

      ...ouve quem negasse que Maria tivesse permanecido virgem. Desde muito temos preferido não falar sobre tão GRANDE SACRILÉGIO. (Santo Ambrósio – De Institutione Virginis 5,35)

      Nem José, varão justo, cairia nessa LOUCURA DE QUERER MISTURAR-SE COM A MÃE DO SENHOR, EM RELAÇÃO CARNAL. (Santo Ambrósio – De Institutione Virginis 6,45)

      Além do próprio São Jerônimo que trata claramente como heresia em sua obra contra Helvídio.

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    8. "Mas vc quer dar crédito a esses bispos da igreja primitiva que definiram os 27 livros do novo testamento, mas quando se trata de algo que te desagrada vc não aceita-os? Não é uma incoerência?"

      Não, porque eu não reconheço os 27 livros do Novo Testamento como canónicos porque alguns supostos bispos no passado os definiram como tal. Na verdade, nem sequer sei do que você está a falar. Que bispos foram esses que definiram os 27 livros do Novo Testamento? Quando e onde foi isso? Como é que esses supostos bispos chegaram à conclusão que deviam "definir" precisamente esses 27 livros? Tiveram uma revelação? Uma visão? Fizeram um sorteio? Como foi?

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    9. Não existe nenhuma obra de Orígenes com este nome:

      "Homilia 17,2 - Na Vigília do Nascimento do Senhor".

      Acho que está a aldrabar.

      http://www.john-uebersax.com/plato/origen2.htm

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    10. Então porque vc reconhece os 27 livros do novo testamento? Como vc chegou a conclusão que esses, e somente esses, são os livros inspirados?
      Eu me refiro aos bispos da igreja primitiva, estes que citei e também muitos outros, que durante 300 anos após os apóstolos, definiram o cânon bíblico, pois os apóstolos não deixaram nenhuma lista de livros inspirados. Muita gente tem dificuldade em entender a infalibilidade da igreja, pensando que sempre acontece de maneira mágica, e que nos referimos como sendo algo restrito apenas ao Bispo Romano. Quando na verdade uma doutrina não é definida magicamente, sempre com uma revelação, mas através de debates, confrontações de ideias entre Todos os bispos e concílios, até estabelecer uma verdade de fé, sempre guiados pelo Espírito Santo. O próprio evangelista Lucas disse que teve de investigar primeiro, antes de escrever infalivelmente LC 1,3. Estes mesmos bispos são os defensores da virgindade de Maria.

      A Obra de Orígenes vc pode consultar no “Corpus Christianorum”.
      Mas Orígenes fala em outros lugares que Maria não teve outros filhos, e convenhamos que ele está defendendo sua virgindade então:

      Mas, seguindo a tradição que está registrado no Evangelho segundo São Pedro ou no livro de Tiago, eles dizem que há alguns irmãos de Jesus, os filhos de José por uma ex-mulher, que vivia com ele antes de Maria. Agora AQUELES QUE DIZEM POR ASSIM DESEJAREM PRESERVAR A HONRA DE MARIA NA VIRGINDADE ATÉ O FIM, de modo que o corpo dela, que foi DESIGNADA PARA MINISTRAR A PALAVRA que diz: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do altíssimo deve ofuscar a ti ", pode não ter tido relação sexual com um homem depois que o Espírito Santo veio ela e o poder do alto a tivesse ofuscado. E eu acho que em harmonia com a razão que Jesus era o fruto primeiro entre os homens da pureza, que consiste na castidade, e Maria entre as mulheres, pois não foram piedosos atribuir a qualquer outro do que o seu fruto primeiro da virgindade...(Orígenes, Comentário sobre evangelho de Matheus, livro 10, 17).

      "Pois, se Maria, como aqueles que declaram, com exaltar de sua mente sã, não tinha outro filho, mas Jesus, e ainda Jesus diz para sua mãe, 'Mulher, eis aí teu filho', e não 'Eis que você tem esse filho também'" (Orígenes, Comentário ao Evangelho de João, Livro 1, 6)

      Sobre este assunto, eu encontrei uma observação muito bem em uma carta do mártir Inácio.. A virgindade de Maria estava escondida do príncipe deste mundo, graças a José e escondido seu casamento com ele. Sua virgindade foi mantida escondida porque ela foi pensada para ser casada." (Orígenes, Homilias sobre Lucas, 6, 3-4.)

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    11. Você não respondeu às minhas perguntas. Se os apóstolos não deixaram nenhuma lista escrita de livros inspirados então como é que durante 300 anos esses bispos primitivos (os bispos viveram durante 300 anos?) chegaram à conclusão que deviam "definir" precisamente esses 27 livros? Basearam-se em quê? Você é que parece pressupor que foi de maneira mágica. Se não foi de maneira mágica então como é que foi?

      Eu reconheço os 27 livros do Novo Testamento como canónicos precisamente pelo mesmo motivo que os cristãos primitivos reconheceram. Estamos em pé de igualdade. Eles não tiveram nenhum acesso privilegiado ao conteúdo do cânon bíblico. Aliás, hoje em dia estamos em melhores condições do que os cristãos primitivos para reconhecer o conteúdo do cânon bíblico visto que temos mais informação disponível do que aquela que eles tinham.

      Procure por "critérios de canonicidade" e aí estão as razões porque os cristãos primitivos e os de agora reconheceram e reconhecem os 27 livros do NT como canónicos. Não tem nada a ver com alguma "definição" de um punhado de bispos no passado.

      O fato de Orígenes defender que Maria não teve outros filhos não implica que acreditasse na doutrina da virgindade perpétua de Maria como é ensinada hoje pela Igreja de Roma (antes, durante, e depois do parto). Orígenes negou explicitamente a virgindade no parto e quem diz isto são reconhecidos mariólogos da sua igreja.

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    12. Não me refiro a um punhado de bispos, mas todos os bispos da igreja primitiva. Quem definiu o cânon não foram simplesmente os cristãos leigos ao bel prazer, mas os bispos da igreja primitiva ao longo dos 300 anos. Santo Irineu por exemplo deixa claro que aceitava os 4 evangelhos, quando existia cerca de 50 na época. Se vc ler Eusébio de Cesareia por exemplo, verá que ele deixa claro tmb que ainda no século III muitos livros eram tidos como duvidosos. Os livros de Hebreus, 2º Pedro, 2º e 3º João, e Apocalipse, eram duvidosos, e alguns ele chega a dizer que não eram canônicos.
      Minha intenção aqui não era falar do cânon, mas apenas fazer um paralelo entre a aceitação da doutrina da virgindade de Maria e a definição dos livros bíblicos, que ambos foram definidos pelos mesmos bispos primitivos, não sendo coerente aceitar uma coisa e rejeitar outra.

      Mas se Orígenes negou ou aceitou a virgindade de Maria no parto, isso é disputado pelos estudiosos. Mas que Orígenes aceitou a virgindade de Maria pós parto é muito claro. E convenhamos que a implicância protestante é defender que Maria teve outros filhos, e isso Orígenes contraria claramente.

      Quem afirmou existir a festa da anunciação já na época foi Gregório de Neocesareia, na postagem que citei acima.

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  4. Esqueci de postar o link sobre a homilia de Orígenes.

    Conferir Aqui:
    http://www.mlat.uzh.ch/MLS/xfromcc.php?tabelle=Auctores_varii_095_cps2&rumpfid=Auctores_varii_095_cps2%2C%20Homiliae%20de%20tempore%2C%20%2017&id=Auctores_varii_095_cps2%2C%20Homiliae%20de%20tempore%2C%20%2017&level=3&corpus=2&current_title=Homiliae%20de%20tempore

    Ou Aqui:
    http://www.documentacatholicaomnia.eu/02m/0720-0799,_Paulus_Winfridus_Diaconus,_Homiliae_De_Tempore,_MLT.pdf

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    1. Isso é uma homilia apócrifa de Orígenes classificada como Pseudo-Orígenes. Não foi escrita pelo insigne teólogo de Alexandria.

      Ver aqui no catálogo desta biblioteca em cc. 76v-79r

      http://manus.iccu.sbn.it/opac_SchedaScheda.php?ID=160837

      O que delata imediatamente a falsidade é o título da homilia. No tempo de Orígenes não havia marcado no calendário uma festividade da natividade do Senhor.

      Além disso, Orígenes era contra a celebração de aniversários natalícios.

      Tem que começar a escolher melhor as suas fontes, que fiasco!

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  5. Sobre a Homilia de Orígenes, essa tradução latina chegou até nós por meio de uma colectânea de Homilias dos Padres da Igreja reunidas por Paulo Diácono, por ordem do Imperador Carlos Magno no século VIII. Pode ser encontrada na coletânea de Paulo Diácono Migne. A intenção de Carlos Magno era reunir homilias dispersas de vários Padres da Igreja, cuja autoridade fosse rigorosa, para se lerem no Ofício Divino. Paulo Diácono traduziu para o latim muitas Homilias de vários Padres Gregos, como essa que ele atribui a Origenes. A maior parte dessas homilias corresponde aos textos originais dos autores. Infelizmente perdeu-se o original dessa Homilia 17, mas se as outras correspondem, porque é que essa não havia de corresponder? Que provas existem para mostrar que Paulo Diácono se enganou no século VIII? Perante a falta de provas, prefiro acreditar nesta prova histórica. Segue um trecho da carta de Carlos Magno a respeito:

    CARLOS,
    CONFIADO NO AUXÍLIO DE DEUS, REI DOS FRANCOS E DOS LANGOBARDOS E PATRÍCIO DOS ROMANOS,
    AOS RELIGIOSOS LEITORES SUBMETIDOS À NOSSA AUTORIDADE.

    Guardando-nos sempre a clemência divina, na pátria e fora dela, na guerra e na paz, embora a fraqueza humana não seja capaz de dar nada em troca dos seus benefícios, porque a misericórdia do nosso Deus não tem preço, Ele reconhece benignamente a boa vontade dos que se entregam ao seu serviço. Portanto, porque nós temos o cuidado de que o estado das nossas igrejas progrida sempre para melhor, esforçamo-nos, tanto quanto podemos, com o empenho vigilante das nossas cartas, por restaurar a actividade negligenciada pela inércia dos nossos antepassados e estimulamos com o nosso exemplo a que se aprofundem dos estudos das belas-letras. Entre outras coisas, já há muito que organizamos de maneira correcta, ajudando-nos Deus em tudo, todos os livros do Velho e do Novo Testamento, adulterados pela incompetência dos copistas. Estimulados, depois, pelo exemplo do nosso pai, Pepino, de veneranda memória, que com o seu empenho adornou com cânticos todas as igrejas das Gálias de tradição Romana, nós, não menos empenhados, procuramos organizar atentamente a série das principais leituras. Por fim, analisamos as leituras para o ofício das matinas que alguns reuniram de forma inútil, embora com recta intenção, mas ainda assim de maneira pouco apropriada, porque não só foram ali colocadas sem os nomes dos seus autores, como também estão cheias de muitas deformações e erros. Ora nós não consentimos que nos nossos dias ocorram solecismos dissonantes nas leituras dos ofícios divinos e tencionamos reformar para melhor a estrutura dessas mesmas leituras, encarregando esse trabalho de aperfeiçoamento a Paulo Diácono, nosso protegido. Concretamente pedimos-lhe que, percorrendo diligentemente os escritos dos Padres católicos, colhesse deles cada uma das suas flores, como se de vastíssimos prados se tratasse, e todas as que fossem úteis as aplicasse num único canteiro, por assim dizer. Ele então, desejando obedecer devotamente à nossa majestade, lendo os tratados e sermões dos diversos Padres católicos, escolhendo os melhores, entregou-nos as leituras de maneira distinta e sem defeitos, organizadas em dois volumes, a serem usadas na roda dum ano inteiro, correspondentes a cada festividade. Examinando, com a nossa sagacidade, o texto delas todas, aprovamos com a nossa autoridade esses mesmos volumes e entregamo-los à vossa religião para serem lidos nas igrejas de Cristo.

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