terça-feira, 24 de dezembro de 2013

NATAL!


“Não havia lugar para eles” (Lucas 2:7)
O evangelista leva o seu rigor descritivo até à escrupulosidade e faz-nos saber que na estalagem não havia lugar para Maria, para José e nem para o seu PEQUENO PRIMOGÉNITO.
O casal evidentemente encontrou asilo na grande guarida de uma pública estrebaria e o menino encontrou a sua primeira cama numa manjedoura, talvez cheia de palha.
Se a descrição de Lucas precedesse o nascimento do menino, poderíamos concluir que somente o casal de Nazaré não tinha podido gozar do benefício de uma estalagem, mas visto que o texto sagrado é meticulosamente exacto ao dizer-nos que "para eles" não havia lugar incluindo nesse plural também o pequeno Jesus, podemos compreender que principalmente para este último deve notar-se o grande contraste que aparece entre a sua grande realeza e a sua dolorosa entrada no mundo.
Com efeito, podemos notar que não havia nada de excepcional no facto de um casal de condições económicas modestíssimas e chegado aos subúrbios de Jerusalém em período de sobrelotação ser repelido para as margens da competição pelos alojamentos.
No máximo seria possível avistar nesse episódio um quadro da dura batalha social que divide as populações de todo o mundo em pobres e ricos ou em gaudiosos e em sofredores. Não havia nada de excepcional, repetimos, no caso de uma pobre família operária que não consegue obter um quarto de estalagem, mas bem que havia algo de excepcional no facto do "Rei" não encontrar acolhimento ou albergue na sua terra.
Não um rei, mas o Rei viera para o seu povo, para os seus súbditos e eles lhe tinham negado um lugar; não somente lhe tinham negado um trono mas também um lugar, mesmo até o mais humilde na última dentre as estalagens de Jerusalém.
"Não havia lugar". O Natal não podia ser recebido entre as multidões; não podia ser posto à sombra de um asilo acolhedor ou de um palácio sumptuoso: devia ficar no estábulo, na manjedoura...
O pequeno menino passará ainda pelas ruas do mundo batendo à porta de cada estalagem, MAS NÃO ENCONTRARÁ nem sequer um ninho, nem sequer um covil. Os seus não quererão recebê-lo, e ele sentar-se-á a mesas que não serão suas e se refugiará em casas que não lhe pertencerão; cavalgará sobre um jumentinho tomado humildemente emprestado, morrerá sobre uma cama que será somente um patíbulo e descerá a uma sepultura que não lhe pertence... Ele continuará a ser Aquele para o qual "não havia lugar na estalagem".
Natal! Celebração da humilhação; esplendor da aniquilação. VÓS NUNCA ENCONTRAREIS O NATAL NOS LUGARES PARA ONDE OS HOMENS PROCURARAM TRAZÊ-LO: entre as festas, no meio das velas coloridas ou debaixo das árvores carregadas de presentes. Vós não o encontrareis nas mesas ricamente preparadas ou nos trilhos dos presépios artificiais; não o encontrareis à volta das lareiras que acolhem entre os braços do seu calor as famílias despreocupadas e um pouco inebriadas pelas festas de dezembro. Também não o encontrareis dentro das catedrais resplandecentes nos seus ornamentos de ouro ou nos cobertores dos seus equipamentos...
Não, não encontrareis o Natal em nenhum destes lugares como não o poderíeis encontrar em nenhum quarto das estalagens de Jerusalém ou de Belém porque "não havia lugar para Ele".
Nós podemos encontrar e reviver o Natal somente ali, onde ele nasceu: perto da manjedoura!
Longe de toda a grandeza humana, de todo o pensamento mundano. Separados do clamor desordenado de um povo em confusão, nós poderemos, no estábulo sem luz e sem glória, contemplar em adoração o "menino que nos nasceu".
Sem precisar de fazer aplicações místicas ou sem dar interpretações simbólicas, nós podemos dar ao nosso texto a fisionomia de uma chamada à humildade mais profunda, à sobriedade mais sã, à renúncia mais completa; aí está o Natal, aí está o glorioso Rei.
Nestes dias, infelizmente, quase todos perderam o sentido, o significado do Natal e por este doloroso motivo vemos substituído o espectáculo do Filho de Deus que nasce num estábulo e é deitado numa manjedoura com esse mais coreográfico e mais vivaz, mas menos real e absolutamente nada sublime, de uma solenidade religiosa carregada de fios de prata e de flocos de algodão.
Não, não há lugar para Ele; e também hoje tudo se acolhe e tudo se recebe, mas o Rei do céu continua a ficar de fora... Talvez Ele deva ficar aí para que um grupo de humildes pastores possa ser guiado até à sua cama pelo exército celestial que canta em redor do seu chefe.
Queremos unir-nos aos guardas vigilantes do rebanho? Queremos também nós desviar o olhar do espectáculo multicolor deste mundo para virá-lo para o pobre abrigo de Belém?
Prostremo-nos na humilhação e adoremos o Rei que não teve, que não tem e que não pode ter um lugar na estalagem deste mundo!
Meditação sobre o Natal! De Roberto Bracco.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ortodoxos orientais refutam o papado com os padres da Igreja, os concílios, e a história.


Há um bom recurso na Wikipedia, feito por Ortodoxos orientais, onde se reúne evidência histórica, patrística e conciliar contra o papado.

Alguns dos temas já foram abordados neste blogue, mas é particularmente útil a parte onde desmontam e esclarecem citações de Padres da Igreja espúrias, adulteradas e retiradas do contexto, usadas pelos apologistas católicos, uma vez que é preciso muito trabalho para fazer isso.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Sobre o Natal e suas origens


Alguns dados históricos sobre a origem da festa do Natal
 
A data em que hoje se celebra o Natal no Ocidente, surge da decisão de substituir a festa pagã do Natalis Solis Invicti com a do nascimento do "Sol da Justiça", em Roma no século IV.
 
Não se sabe em que data nasceu Cristo. Nem nos Evangelhos nem no resto do Novo Testamento é dada a data do nascimento de Jesus. Os Padres Apostólicos também não tratam deste tema.
 
A especulação cristã referente à natividade de Jesus data do século III. Em princípios deste século, Clemente de Alexandria menciona que uns opinavam que foi a 20 de maio, e outros que foi a 19 ou 20 de abril.
 
A menção mais antiga da celebração do Natal no dia 25 de dezembro aparece em 336, onde segundo o calendário filocaliano (romano): natus Christus in Betleem Judeae. Este calendário, reflete a prática romana, provavelmente imposta para opor-se à celebração do festival pagão do Sol Invicto (Natalis Solis Invicti).
 
Em finais do mesmo século, a festa aparece como estabelecida, segundo as chamadas Constituições Apostólicas:
 
Irmãos, observai os dias de festivais. Em primeiro lugar, está o nascimento que celebrareis em 25 do nono mês [25 de dezembro].
 
Em outras tradições, a natividade de Cristo era recordada noutros dias. No Oriente, o Natal ligou-se com a data de 6 de Janeiro a partir da segunda metade do século IV.
 
As controvérsias acerca da encarnação de Cristo entre os séculos IV e VI provavelmente contribuíram para estabelecer a importância da festividade natalícia.
 
Apesar da festa do nascimento de Jesus ter substituído a do Sol Invicto, na sua forma popular a celebração nunca perdeu certos matizes pagãos.
 
Algumas observações sobre esta festa
 
Guardar um dia para celebrar com alegria o nascimento de Cristo é uma coisa boa, mas devemos recordar que não se trata de um mandato bíblico.
 
Em nenhuma parte das Escrituras é ordenado aos cristãos celebrar o nascimento do Senhor. A única celebração instituída por Jesus é a Eucaristia, que está expressamente vinculada com a morte e a ressurreição do Senhor.
 
A evidência disponível indica que a celebração do nascimento de Cristo não foi um costume da Igreja primitiva, cuja única festa anual de importância era a Páscoa da Ressurreição. Ao que parece a celebração do nascimento de Jesus surgiu no século IV.
 
Estamos pois perante uma celebração tradicional, que embora não se oponha à Escritura, também não está prescrita nela. Portanto, os cristãos que celebram o Natal devem respeitar a opinião daqueles que não o celebram, e os que não o celebram devem respeitar aqueles que o celebram com devoção e santidade.
 
Como diz o apóstolo Paulo: “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz.” (Rom 14:5-6)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Agostinho de Hipona contra as orações dirigidas aos mortos e aos anjos

 
Agostinho (354-430): De modo que o bom servo, como eu disse, que já pode ser chamado um filho, não deseja que ele mesmo, mas que o seu senhor seja venerado. Pensai um pouco, irmãos e irmãs, e recordai o que assistis todos os dias; o que é realmente vos ensinado na igreja? Os fiéis sabem em que estilo os mártires são comemorados nos mistérios, quando os nossos desejos e orações são dirigidas a Deus.
 
John E. Rotelle, O.S.A., ed., The Works of Saint Augustine, Newly Discovered Sermons, Part 3, Vol. 11, trans. Edmund Hill, O.P., Sermon 198.12 (Hyde Park: New City Press, 1997), p. 190.
 
Agostinho (354-430): E pode a sua própria oração ser considerada pecaminosa. Isto acontece porque nenhuma oração pode ser justa se não for oferecida através de Cristo, a quem Judas vendeu pelo seu pecado monstruoso. Uma oração feita de outra maneira que não através de Cristo não é meramente impotente para apagar o pecado; ela mesma se torna pecado.
 
John E. Rotelle, O.S.A., ed., The Works of Saint Augustine, Part 3, Vol. 19, trans. Maria Boulding, O.S.B., Expositions of the Psalms, Psalms 99-120, Exposition of Psalm 108.9 (Psalm 109) (Hyde Park: New City Press, 2003), p. 247.
 
Texto latino: Et oratio ejus fiat in peccatum. Quoniam non est justa oratio, nisi per Christum, quem vendidit immanitate peccati: oratio autem quae non fit per Christum, non solum non potest delere peccatum, sed etiam ipsa fit in peccatum. Ver In Psalmum CVIII Enarratio, §9, PL 37:1436.
 
Além disso, ao contrário de Roma, Agostinho também ensinou contra a invocação de anjos ...
 
Agostinho (354-430): Se alguém lhe disser: "Invoque o anjo Gabriel desta forma, invoque Miguel dessa outra; ofereça este pequeno ritual antigo, ou este mais moderno"; não se deixe levar, não concorde. E não se deixe enganar por ele só porque os nomes desses anjos podem ser lidos nas escrituras; observe antes qual o papel dos anjos que lá pode ser lido, se eles alguma vez exigiram de algum homem qualquer tipo de veneração religiosa pessoal para eles próprios, ou em vez disso sempre desejaram que a glória fosse dada ao único Deus, a quem eles obedecem.
 
John E. Rotelle, O.S.A., ed., The Works of Saint Augustine, Newly Discovered Sermons, Part 3, Vol. 11, trans. Edmund Hill, O.P., Sermon 198.47 (Hyde Park: New City Press, 1997), p. 217.
 
Portanto, segundo Agostinho de Hipona, as orações devem ser dirigidas somente a Deus através de Cristo.
 
A intercessão dos crentes defuntos pelos crentes vivos carece de fundamento bíblico. Nas Escrituras, os que acabaram a carreira são nos apresentados como exemplos e testemunhas através das suas vidas, não como intercessores depois da sua morte. Na verdade, não há uma só passagem bíblica na qual se peça alguma coisa a Deus pelos méritos de qualquer outro ser humano que não seja Jesus Cristo.
 
Além disso, as Escrituras proíbem como uma abominação qualquer tipo de comunicação com os mortos.
 
No seu Manual de Teologia Dogmática, Ludwig Ott diz:

"A Sagrada Escritura não conhece ainda o culto e invocação aos santos..."
 
Ludwig Ott, Manual de Teología Dogmática. Ed. Rev. Barcelona: Herder, 1968, p. 477).
 
A doutrina da invocação dos méritos dos "santos", certamente também não é uma tradição autenticamente apostólica conservada pela Igreja de Roma.
 
Não há evidência de que a Igreja Católica antiga, durante pelo menos os primeiros cinco séculos, ensinasse a recorrer aos méritos dos santos defuntos, e à sua intercessão para conseguir favores de Deus.
 
A comunhão dos santos é uma realidade que nada tem a ver com a doutrina extra-bíblica da invocação dos méritos dos "santos". A Bíblia chama santos a todos os crentes, não àqueles destacados em particular como tais pela Igreja de Roma.
 
Os únicos méritos que podemos invocar são os do único homem perfeito, nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo homem. Tudo o resto é não somente supérfluo mas blasfemo. Implicaria que se tem que complementar ou aperfeiçoar a obra do Senhor na cruz com os supostos méritos dos membros do santoral romano.
 
Na verdade, se analisarmos a bem-aventurada Maria e todos os santos que povoam o nutrido santoral católico:
 
- Encontraremos algum mais misericordioso do que Deus?
 
- Haverá algum mais poderoso do que Deus?
 
- Alguns deles poderiam amar-nos mais do que nos ama Deus?
 
- Sabe algum deles o que na verdade nos convém, melhor do que Deus?
 
- Possuiria algum a capacidade de escutar e responder a todas as orações como Deus?
 
São, evidentemente, perguntas retóricas que devem ser respondidas negativamente.

Então, que sentido tem orar a pessoas que talvez estejam no céu, mas que não são tão misericordiosas, nem tão poderosas, nem tão amorosas, nem tão sábias como Deus?
 
Em resumo, a doutrina da invocação dos méritos dos santos carece de toda a prova bíblica, patrística e histórica. Além disso, por cada minuto que se ora a um santo é um minuto que se perde de oração ao Deus vivo e verdadeiro.
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